Quem mora na Grande São Paulo anda bem preocupado com a situação do Sistema Cantareira, que fornece água para milhões de pessoas. Como já discutimos em posts anteriores, a falta de chuvas no último verão aliada ao descaso do Governo Estadual ocasionou recordes negativos nos níveis de água do sistema. Desde o começo do ano assistimos alarmados essa queda ininterrupta, e por mais que o governador Geraldo Alckmin tivesse negado, não era segredo para ninguém que há, sim, um racionamento de água acontecendo. O que nos resta é esperar pelas chuvas de verão. Mas é importante que façamos algumas perguntas.

 

O solo seco absorve a água primeiro.

 

Que tipo de chuva precisamos?

 

Nos últimos dias temos presenciado pancadas de chuva muito fortes, causando até mesmo alagamentos e mortes. Infelizmente, não é desse tipo de chuva que o Cantareira necessita. O solo está seco demais, e essa água é absorvida por ele rapidamente, sem que seja possível formar um espelho d’água, que ajudaria na subida dos níveis dos reservatórios.  O ideal são períodos de chuvas perenes (contínuas), para que o solo e as plantas absorvam a água, até que haja um excedente. É dessa “sobra” de água que precisamos.

 

Mas e 2015?

 

Pois é. Muitos ficam preocupados com o agora, mas na verdade as chuvas virão. O problema é o quanto vai chover nesse próximo verão, e isso determinará se teremos um 2015 com racionamento ou não. Temos que estar preparados para o período seco do ano que vem, que vai de abril até setembro. As chuvas de novembro e dezembro de agora deverão ser usadas para a recuperação da reserva técnica, o famoso volume morto. Mas e se tivermos um verão tão seco quanto o de 2013/2014? Bom, como disse Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp, em áudio que vazou de uma reunião “quem puder compra garrafa de água mineral, quem não puder vai tomar banho na casa da mãe, em Santos, Ubatuba, Águas de São Pedro, aqui não vai ter”. Mesma reunião em que Dilma Pena, a presidente da estatal, afirmou que uma “orientação superior” impediu a empresa de comunicar à população a gravidade da situação. A história dessa crise fica cada vez melhor…

 

Então é melhor continuar economizando água?

 

Talvez essa pergunta pareça um pouco óbvia, mas não é. Se muitas pessoas não economizam água num momento de crise extrema, imagine quando achar que as coisas estão melhorando? A verdade é que para o Cantareira se recuperar, precisamos de cerca de 2 ou 3 anos com chuvas, pelo menos, na média esperada. É imprescindível que o Governo do Estado de São Paulo não continue enrolando a população, maquiando um cenário bastante preocupante. Temos que economizar água como nunca, caso contrário 2015 ficará marcado para sempre na história desse país, e azar de quem não tem a mãe morando em Ubatuba.

 
 

Por: Vinícius Primiani