Que fase difícil vive a política nacional brasileira. Agora, muito pior do que ela, é a história triste que enfrenta a nossa natureza. Nossos recursos naturais, nosso meio ambiente e fauna silvestre brasileira. E olha, este descaso não é problema só do governo atual – que está entre os piores de todos os tempos. O descaso com a chamada ‘vida não humana’ faz parte do Brasil desde os tempos de colônia. O que chama muito a atenção é que nesta semana tivemos mais um triste episódio para a vida dos animais brasileiros, dessa vez no Rio de Janeiro.

 

Floresta da Tijuca - Rio de Janeiro / RJ

 

Mais um dos incontáveis capítulos de descaso e supressão da vida selvagem no Brasil. É no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do Rio de Janeiro que temos um caso icônico da política conservacionista nacional. O centro de triagem fluminense, aquele responsável por receber e tratar os animais apreendidos do tráfico de animais silvestres – uma prática criminosa e cruel muito comum em nosso país – está sem verba para comprar comida! Os funcionários do centro vem atuando como verdadeiros heróis, tirando dinheiro do próprio bolso para alimentar os mais de mil e duzentos (1.200) bichos que lá estão em recuperação!

 

Alimentação de animais silvestres

 

A reportagem do Jornal da Band foi atrás da senhora Ministra do Meio Ambiente para saber a posição do Governo Federal, quando ela respondeu: “Não tenho nenhuma informação de que o Ibama esteja sem alimento em Cetas, até porque não pode, porque morrem os bichos“. A frase traz aos olhos de quem quer ver o total desinteresse desta figura pública com o seu objeto de trabalho: o Meio Ambiente. Não precisa ser protetor de animais para ficar revoltado com a situação vivida pelo Ibama – RJ. Agora, ser MINISTRA do Meio Ambiente e tratar da questão com total desdém é, no mínimo, inaceitável.

 

Funcionários do Ibama e Chico Mendes no RJ (2012)

 

Infelizmente, este caso do Rio de Janeiro é na realidade o efeito de uma política iniciada no Governo Dilma de desmonte do órgão. O Ibama sofreu sucessivas ações de enfraquecimento, perdendo seu pouco poder e força para com a proteção da vida. Como falou Paulo Adário, na época coordenador da Campanha de Florestas do Greenpeace: “Essa medida faz parte do processo de castração acelerada do Ibama e do desmonte da legislação ambiental brasileira. O Ibama está perdendo cada vez mais seu poder de órgão fiscalizador. Daqui a pouco, os fiscais do Ibama vão estar fiscalizando o trânsito na Praça dos Três Poderes por falta do que fazer“. (O Globo, 10/12/2011).

 

Izabella Teixeira - Ministra de Meio Ambiente

 

O país que é ‘abençoado por Deus e bonito por natureza’ segue perdendo sua beleza, além de sua força e potencial em recursos naturais, graças ao elemento perdido de si mesmo, conhecido também como ser humano. Infelizmente a biodiversidade, que nada mais é do que a soma de todas as outras inúmeras formas de vida não humanas vivendo em território nacional, são pouco importantes para a nossa nação verde e amarela.